sexta-feira, 13 de outubro de 2023

METS & mais




METS & mais



Realizamos no Rio de Janeiro, em parcerias com pessoas e instituições interessadas, alguns encontros, na primeira década deste século, voltados para o bem-estar de pessoas menos favorecidas. Os Livre Pensar Social, os METS, as Redes Comunitárias, as Terapias Comunitárias.


Muitos destes encontros foram gravados e estão disponíveis na internet, especialmente no YouTube.


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O Livre Pensar, focado no social. Encontro voltado só pro pensar. Ali criamos e fortalecemos vínculos. E quando houve necessidade de juntar esforços para realizar um projeto de interesse comum, esta confiança, estes vínculos facilitaram as realizações.


Pessoas que compõem instituições – Banco do Brasil, BNDES, Finep, Microcrédito, Sesc, Sesi, Senac, associações de empresários, associações de trabalhadores, associações de moradores… – sentavam-se em roda e cada um informava sobre o que ali oferecia e procurava, expressava seus desejos, suas reflexões, suas proposições. Para que todos tivessem oportunidade de falar, combinávamos tempos democraticamente limitados – 3 minutos para cada um, por exemplo.


Mesmo, naqueles momentos, sem aparentes resultados práticos, estes encontros facilitaram posteriores parcerias voltadas para o bem-estar de comunidades populares menos favorecidas. Por exemplo, na Cidade de Deus, em Vila Aliança.


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Os movimentos emocionais e transformações sociais, os METS, eram tentativas empíricas de aprendermos, os que participavam, sobre o que provoca mudanças de comportamento. Cada participante, se desejado, falava de sua própria experiência. As apresentações eram respostas à pergunta “quem sou?” e não à pergunta “que faço?”.


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Também em roda, a Terapia Comunitária é um espaço para cada um, que deseje, falar de problemas cotidianos, de questões que afligem, trazem insônias, incomodam. Todos têm oportunidades de falar. Algumas regras são antes combinadas, dentre elas: não vale julgar nem dar conselhos, só se fala da própria vivência, não é espaço para segredos. Um ditado popular estimula a participação: quando a boca cala, o corpo fala, adoece. Mas quando a boca fala, o corpo cala, sara. Hoje, Terapia Comunitária, uma política pública federal


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Já as Redes Comunitárias são encontros de pessoas e representantes de instituições interessadas em algo comum, um outro tema ou um território – uma comunidade – por exemplo.


Sentam-se em roda, combinam-se as regras, cada um fala sobre o que oferece e o que procura, em relação ao tema ou ao território motivador do encontro. Em seguida, ao redor de um lanche, cada um se aproxima, conversa com quem se identifica ou deseja construir parcerias.


Estas mesmas ofertas e procuras – com telefones e e-mails dos autores – são digitadas e compartilhadas mais amplamente. As redes se ampliam, parcerias são realizadas.


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Quem está impaciente? O médico, o doente?

Quem está doente? O médico, o paciente?


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Se eu estiver errado, peço antecipadamente desculpas. Tinha desconfianças. Desconfiei, há tempos, da contagem de votos. Seria coerente alguma falcatrua. Salvo engano, início dos anos 80, tantos anos passados. Eleições. Brizola, o favorito. Contagem dos votos. A Globo, através da Proconsult, anuncia contagens que não correspondem às verdadeiras. Brizola grita, a Globo retrocede. A contagem é fiscalizada, Brizola ganha. Hoje aprendo confiar em urnas eletrônicas.



Desconfio dos grandes meios de comunicação. Têm seus próprios interesses e não deixam isto claro para seus públicos. A Globo, por exemplo. Desconfio que as Organizações Globo compreendem centenas de empresas. Talvez a Globo possa nos esclarecer se é verdade. No final dos anos 80, elaborei, para a Globo Vídeo, o projeto Vídeo Escola. Tive, então, acesso a documentos que, salvo engano, relacionavam mais de 100 empresas pertencentes às Organizações Globo. Dentre elas, por exemplo, a que produz a geleia de mocotó Embasa. Também o sistema Globo de radiocomunicação, sistema Globo de televisão, o jornal O Globo, o jornal Extra... A TV Globo, como concessão pública que é, poderia esclarecer quais são os interesses dos seus acionistas principais. Desconfio das Organizações Globo. Como desconfio dos grandes meios de comunicação. E, mais ainda, das informações que me chegam através da internet. Mas, minha confiança cresce quando conheço a fonte de informação e me identifico com suas intenções e práticas democráticas.


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Um dos motivos pelos quais desconfio das informações que estes grandes meios nos trazem. Final dos anos 90. Color e Lula, debate final, TV Globo. No dia seguinte, quando já não era permitido propaganda eleitoral, a TV Globo edita tendenciosamente a gravação do debate, em favor de Color. E põe no ar, em horários nobres. Color vence a eleição, muito em função desta distorção.


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A vida de muitos brasileiros hoje é pautada pelas informações que nos chegam através de grandes meios de comunicação. Se falsas estas informações, pior para nós. Misturar ficção com realidade não nos faz bem.


Acredito, quem faz fofoca é, também, responsável pelo que a fofoca provoca.





Luiz Fernando Sarmento

www.luizsarmento.blogspot.com





 

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